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CachaÇa Maria Izabel Carvalho Ouro 700ml

  • CACHAÇA MARIA IZABEL CARVALHO ouro 700ml
R$ 169,00
Ou 3X de R$ 56,33

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É a menor dos sete produtores que ainda fazem cachaça em Paraty, a cidade brasileira cujo nome no passado chegou a ser sinônimo de cachaça. Mas Maria Izabel é também a mais especial — e é por isso que a bebida que sai do seu alambique artesanal é única.

Havia em tempos em Paraty, no Brasil, uma menina morena de longos cabelos negros que andava sempre descalça e levava o seu cavalo para tomar banho no rio. Os anos passaram, a menina cresceu, foi mãe de seis raparigas, mas continuou a andar descalça pelas ruas da cidade. Hoje, Maria Izabel é avó e faz aquela que muitos consideram a melhor cachaça de Paraty, à qual deu o seu nome. “Sou alambiqueira”, resume, com um sorriso doce.

Depois de sairmos da estrada principal, o caminho até ao Sítio de Santo Antônio, a oito quilômetros de Paraty, onde vive Maria Izabel, não é para qualquer carro. Mesmo assim, hoje os veículos motorizados já conseguem chegar até este pequeno paraíso à beira-mar, no Corumbê, coisa que há uns anos não acontecia. Na estrada cruzamo-nos com Maria Izabel, que guia descalça, o cabelo preso numa trança, e que avisa que volta já, não demora um minuto.

Daí a pouco está de regresso e, junto ao pequeno alambique artesanal, conta-nos a sua história. “Eu não tinha estrada, usava mais o barco para transporte do que aqui se produzia, ou a trilha que às vezes fazia a cavalo, que era bem gostoso.” Isso antes de começar a plantar a cana-de-açúcar para produzir a cachaça. O que a levou a isso foi ter um dinheiro para investir e saber que outro negócio obrigá-la-ia a deixar o Sítio de Santo Antônio, dado que sem estrada tudo seria muito difícil. Resolveu então apostar na cana e voltar a fazer cachaça como os seus antepassados já tinham feito e como sempre foi tradição em Paraty. Estávamos em 1997.

“Desde a segunda metade de 1700 que tinha antepassado meu fazendo cachaça em Paraty. Chegou a haver por aqui mais de 150 alambiques. Quase todas as fazendas produziam cachaça, que era mandada para Portugal para pagar as dívidas da coroa”, conta. No tempo dos escravos era fácil ter mão-de-obra para o trabalho duro que é a plantação e colheita da cana nos morros inclinados mas, com o fim da escravatura, e com o declínio de Paraty, que chegou a ser muito importante como rota do ouro e porto de chegada de escravos, a economia local foi decaindo e o número de produtores também. Em 1872 já eram apenas 53 os engenhos locais. Hoje existem sete, dos quais Maria Izabel é a que tem a produção mais pequena — uma média de oito mil litros por ano, enquanto os produtores maiores fazem cerca de 20 mil.

Na sala onde repousam as barricas e onde faz as provas de cachaça, tem alguns jornais e revistas que a ajudam a contar esta história. Numa delas está a famosa fotografia de Fernando Pessoa a beber uma ginginha em (nas palavras do próprio poeta) “flagrante delitro”. Maria Izabel aponta para as garrafas numa prateleira, ao fundo da imagem, cujos rótulos dificilmente se conseguem ler, e identifica a palavra “Paraty”, que durante muito tempo foi sinônimo de cachaça tal era a importância da produção da região. “Vê? Havia garrafas da cachaça daqui em Lisboa naquela altura.”

Depois vai buscar um documento antigo, emoldurado: uma carta de 1866, do representante comercial no Porto, que confirma a exportação para Portugal da cachaça feita pelos seus antepassados, entre as quais uma especial, de tom azulado, batizada como Laranjinha Celeste, e que Maria Izabel continua a fazer hoje (o que dá esse tom especial é o acréscimo ao caldo de cana fermentado, no momento da destilação, de folhas de mexerica, uma espécie de tangerina).

A família de Maria Izabel sempre foi uma das mais importantes de Paraty. O produtor de cachaça era o bisavô, Francisco Lopes Costa, na altura numa fazenda chamada Bananal, mas a figura mais conhecida e popular é o seu avô, Samuel Costa, que foi também prefeito da cidade. Maria Izabel gosta de contar a história de como um dia, no tempo em que os mortos eram levados de canoa para o cemitério, ele ficou chocado porque uma das canoas virou e morreu mais uma pessoa.
 

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